| Quando o papa João Paulo II fez a primeira visita de volta à sua Polônia natal, em 1979, seu inimigo era o comunismo e seu objetivo era derrotá-lo. Os compatriotas poloneses desafiaram tanto seus líderes que eles acabaram tendo que deixar o poder.
A primeira visita do papa Bento XVI à sua terra natal teve um tipo diferente de objetivo. Ele tinha que superar a própria reputação, difundida no país que melhor o conhece, de ser a figura no mais alto cargo de uma Igreja ultrapassada.
Bento XVI nunca poderia esperar que fosse inspirar os alemães como o fez João Paulo em relação aos poloneses, já que os povos, a política e a história dos dois países são extremamente diferentes.
Mas depois de uma atuação impecável no Dia Mundial da Juventude, o pontífice de 78 anos deixou de lado sua antiga imagem e mostrou para os críticos uma nova visão da Igreja que comanda.
O cardeal Karl Lehmann, chefe da conferência de bispos da Alemanha e que muitas vezes combateu o compatriota conservador, parecia satisfeito no domingo, após o final dos quatro dias de visita do papa.
"O papa eliminou muito do que prejudicava sua reputação neste país nos últimos anos", disse.
A imprensa alemã, bastante crítica ao ex-cardeal Joseph Ratzinger no passado, gostou da maneira despretensiosa com a qual o papa lidou com o encontro de jovens e de seus encontros sensatos com judeus, protestantes e muçulmanos.
"Este papa ¿ que rejeita tudo o que os jovens normalmente gostam de fazer ¿ é plenamente aceito por eles", escreveu o jornal Neue Presse em Hanover.
Bento XVI conquistou sua reputação de ser duro ao combater a Teologia da Libertação na América Latina e ao silenciar teólogos críticos enquanto foi o responsável pela fiscalização doutrinária do Vaticano de 1981 até abril deste ano.
O efeito foi devastador na Alemanha, onde teólogos como Hans Kueng são estrelas de mídia. Quando Bento foi eleito, muitos alemães torceram o nariz porque suas opiniões dogmáticas eram contrárias à auto-imagem secular e progressista do país. |